Emprego na indústria resiste mais a crises. Nos serviços destrói-se mais
Dinheiro Vivo
O setor industrial é o que consegue resistir melhor a ciclos de recessão da economia, mantendo os postos de trabalho, mas também é aquele que menos emprego cria em fase de expansão da economia. A conclusão é do estudo “Novo desemprego: as fragilidades de uma opção produtiva nacional” do Barómetro do Observatório sobre Crises e Alternativas que analisou a série longa dos valores do desemprego registado nos centros de emprego dos últimos 40 anos em Portugal.
No outro extremo estão as atividades relacionadas com os serviços onde se incluem as empresas ligadas ao turismo (alojamento e restauração), o comércio ou o imobiliário. Setores fortemente afetados pela atual crise, uma vez que foram obrigados a fechar por decisão do governo ou por falta de clientes. “Quando se observam os dados do desemprego registado nas últimas quatro décadas, verifica-se que o setor dos serviços – ao contrário das indústrias transformadoras – é aquele que se expande em fase de retoma, mas que se retrai desproporcionadamente em fase recessiva, manifestando uma enorme volatilidade”, indica o estudo elaborado pelo economista João Ramos de Almeida. Ou seja, absorve muitos desempregados em momentos bons da economia, mas também os expulsa rapidamente e de forma mais agressiva durante as fases de recessão. E esta dinâmica tem-se aprofundado nas últimas duas décadas. “Verifica-se que foi o setor dos serviços aquele que marcou, de sobremaneira, a evolução do desemprego criado (variações positivas) e destruído (variações negativas), registando-se uma elevada volatilidade. E que essa volatilidade parece, com o tempo, ter vindo a ampliar-se”, refere o estudo divulgado na semana passada. E isso pode revelar outras fragilidades do mercado de trabalho e da estrutura económica do país muito assente nestes setores. “Desde o início do século XXI e até ao início da retoma em 2013, os serviços tiveram uma subida do nível de desemprego registado de mais 236.157 pessoas, contra 29.615 do setor industrial. Apenas em 2019 os serviços recuperaram o nível de emprego observado no início do século XXI”, aponta a análise.
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