ARAC
29 Março 2020 | 10:50
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2020-03-28Covid-19: Pico da infecção adiado para final de maio
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“ESTRATÉGIA” E “PLANEAMENTO” SÃO OS MAIORES DESAFIOS PARA PORTUGAL ATINGIR OS 30 MILHÕES DE TURISTAS
AMBITUR


A ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis Sem Condutor – realizou em abril a sua terceira convenção nacional. Sob o mote “O Futuro da Mobilidade e do Turismo”, o evento decorreu na Culturgest, em Lisboa, e ficou marcado pelo debate e reflexão sobre setor da locação de veículos e da mobilidade.

No painel “De 17 milhões para 30 milhões de visitantes”, cinco profissionais, de vários quadrantes da sociedade, abordaram vários temas como os novos produtos turísticos e formas de cativar aqueles que, em número cada vez maior, escolhem Portugal como o seu destino de férias. Foi o moderador Camilo Lourenço, profissional independente de Editoração, quem levantou a primeira questão: “Vamos chegar aos 30 milhões? Como é que temos de nos preparar caso aconteça?”

Carlos Melo Ribeiro considera que Portugal tem todas as condições para receber trinta milhões de visitantes. Para o empresário na área de Turismo e Agricultura, uma das mais-valias do país é que “somos dos povos com mais sentidos: sentimos as pessoas e todos os povos desenvolvidos que cá vêm, adoram”, diz Recuando no tempo, o responsável lembra que Portugal sempre teve dificuldades na entrada de turistas no país. “Não planeamos e não preparamos o futuro, mas mesmo assim fomos conquistando”, recorda.

Quem parece concordar com esta visão é Álvaro Covões. O diretor-geral da promotora Everything is New diz ser possível atingir a marca dos trinta milhões mas coloca uma questão: “Como é que conseguimos fazer com que os visitantes não fiquem concentrados em Lisboa ou no Porto, e no verão no Algarve?” No que toca à promoção de Portugal, o responsável aponta algumas falhas como as dificuldades que os turistas têm para pagar portagens, “uma ação tão simples que se torna num entrave”. O responsável sustenta que, desta forma, o país demonstra “falta de estratégia e planeamento para o Turismo” avaliando a situação atual do país como “assustadora”: para este ano, estão previstos, em Lisboa, “37 novos hotéis, zero teatros, zero galerias de exposições temporárias e zero museus”.

É importante “criar uma história à volta do produto”
Também Marta Cabral considera que, para atingir a meta traçada dos 30 milhões de visitantes “há ainda muito trabalho a fazer”. Para a presidente da Rota Vicentina e da Associação para a Promoção do Turismo de Natureza na Costa Alentejana e Vicentina, a grande questão que se coloca é se “estaremos preparados?”

A Rota Vicentina atingiu “rapidamente aquilo que estava delineado” e a grande oferta que garantiu esse desempenho foi o Trilho do Pescadores. A dirigente sublinha que é muito fácil colocar a Rota Vicentina e o Trilho dos Pescadores no mapa: basta “construir alojamentos e fazer publicidade”. Mas “como vamos aumentar o número de utilizadores residentes e viajantes sem prejudicar a experiência?”.

O Trilho dos Pescadores é “incontornável para quem deseja caminhar” como Lisboa “é incontornável para quem visita Portugal”. De facto, “é muito difícil encontrar ou competir a nível mundial com este trilho. Não se encontra facilmente um semelhante”, afirma Marta Cabral. No entanto, a Associação para a Promoção do Turismo de Natureza na Costa Alentejana e Vicentina está a investir “95% do seu tempo e do seu orçamento” para “desenvolver ofertas que possam chegar aos calcanhares” do Trilho dos Pescadores. Segundo a presidente, a estratégia passa por “conseguir conteúdos suficientes para que a presença no Trilho dos Pescadores não se esgote”. Com uma estadia média de 10 dias, “pretendemos criar outros conteúdos de atração” que “complementem essa experiência como outros trilhos pedestres mais no Interior”. A experiência tem como objetivo “atravessar paisagens mais diversificadas”. Um outro investimento foi no BTT com “1000 km únicos que têm como núcleos principais pequenas aldeias que não tinham qualquer dinâmica turística mas com grande potencial”, acrescenta.

Desenvolver experiências com a comunidade é também um desafio proposto pela Associação. “Estamos a procurar associar essa experiência física e desportiva com outra mais cultural”. A ideia é “fazer uma interpretação artística daquilo que a comunidade ou pessoa tem para dizer enquanto storytelling. São representantes de uma história”, explica a responsável. Uma das vantagens do Interior é que “as pessoas estão muito mais predispostas a receber turistas” e assim “os serviços são mais cuidados e mais qualificados”.

Para despertar novas experiências no turista, Duarte Guedes apresenta o Mototurismo, um produto recente que vai proporcionar ao visitante “agregar valor ao contar uma história”. O administrador da Hertz considera que “as infraestruturas são essenciais para a qualidade do país” e, nesse sentido, “já assistimos a grandes evoluções”. No entanto, ainda mais importante “é criar uma história à volta do produto”. O responsável é da opinião que “a despesa em experiências é superior à despesa em produtos”. Portugal é rico em “contar histórias” e, na economia das experiências “o tempo é tempo bem passado”, acrescenta.

Embora seja ainda um produto para um turismo de nicho, o responsável acredita que vai crescer pela experiência que proporciona, lembrando a questão da mobilidade em que cada vez mais se veem scooters na cidade, podendo atrair ainda mais a vontade pelo Mototurismo. A grande novidade, segundo o responsável, é a aplicação no GPS que permite ao turista escolher a opção mais demorada (estrada com curvas). Neste sentido, o Mototurismo pretende “levar o turista a conhecer mais destinos” e, ao mesmo tempo, a “passar por outros locais sem ter delineado na viagem”.

De experiências às atividades “o surf é cada vez mais transversal”, diz Francisco Spínola. O diretor-geral para a Europa, África e Médio Oriente (EMAL) da Liga Mundial do Surf diz que “é difícil medir o número de turistas que vêm de propósito fazer Surf” mas a tendência é “sem dúvida de crescimento. Há zonas que cresceram mais do que outras mas ainda existem muitas costas por descobrir”. O responsável sublinha que Surf é “um catalisador e um eixo de promoção a outros destinos. Ao promover o Surf ou um evento, promovemos o destino”.

Com um país com “pouco poder de compra e com uma população pequena” na área cultural, o “nosso mercado reduz-se a 600 mil potenciais compradores”. Álvaro Covões considera que “este foi um processo de aprendizagem para conseguir aumentar o número”. A oportunidade identificada foi “associar um conteúdo à visita”, conseguindo “aumentar o mercado estrangeiro com grandes nomes de artistas”. Hoje em dia, “não há espetáculo em que venham pessoas do estrangeiro de propósito”.



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