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11 Abril 2021 | 19:52
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Desconfinar? Sabe-se como começa mas não quando acaba
Jornal de Negócios


A única certeza sobre o plano de desconfinamento é que será apresentado no dia 11 e começará pelas escolas. Cabeleireiros têm boas condições para abrir, mas a restauração é vista com maior reserva, apesar da oportunidade que o bom tempo pode trazer às refeições em esplanadas.
Dia 11 é a data avançada por António Costa para a apresentação do plano de desconfinamento cujo esboço delineado por especialistas terá já chegado a São Bento. Deverá ser gradual, por setores e com assimetrias regionais, baseado em indicadores ligados à saúde pública e à incidência de novas infeções, como o plano adotado na quarta-feira pela chanceler alemã, Angela Merkel. Para já, fica por dizer que setores da economia abrirão primeiro.



Se iniciarmos o desconfinamento gradualmente devemos aguardar pelo menos duas semanas para ver qual o impacto das medidas na propagação do vírus.Carmo Gomes
Epidemiologista e professor da FCUL

O trabalho já entregue ao primeiro-ministro foi elaborado ao longo de fevereiro e deverá ser apresentado esta segunda-feira na reunião do Infarmed, segundo adiantou o Expresso. O esboço não traz datas definidas, em vez disso deverá apresentar um conjunto de metas a atingir antes de tomar o próximo passo no processo de desconfinamento, que acabará quando todos os critérios de saúde pública forem cumpridos. Ao Negócios, o epidemiologista e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel Carmo Gomes defende que “se iniciarmos o desconfinamento gradualmente devemos aguardar pelo menos duas semanas para ver qual o impacto” das medidas na propagação do vírus.

Na quinta-feira também a Comissão Nacional de Saúde (CNS) se manifestou a favor de um plano com base nos “processos de monitorização que acompanhem tanto a evolução epidemiológica quanto os indicadores económicos e sociais do país” e que seja gradual entre setores. A comissão levantava ainda outras questões, como o alargamento da capacidade de testagem e a eventual dispensa de prescrição médica para os testes de diagnóstico, à semelhança do que se passa na Áustria a partir de hoje e que permite a cada pessoa levantar cinco testes por mês em qualquer farmácia.

Deveríamos esperar um plano diferenciado por setores e em que as medidas aplicadas a cada um estivessem ligadas ao seu contributo para a situação pandémica.Miguel Castanho
Investigador do iMM

Vários especialistas defenderam que o processo deve ser feito de forma distinta entre áreas metropolitanas e rurais, com ação a um nível setorial mediante o impacto que possam ter as atividades na propagação do vírus. É o caso de Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular (iMM), que acredita em “diferenças muito grandes entre a pandemia nas áreas metropolitanas e fora delas”, sobretudo ao nível dos transportes públicos, mas que gostaria de ver explicada “a lógica intrínseca a cada medida”.

“Deveríamos esperar um plano diferenciado por setores e em que as medidas aplicadas a cada um estivessem ligadas ao seu contributo para a situação pandémica. Até agora temos visto o ónus no setor da restauração, o que não está muito substanciado, mas que tem lógica”, explica Miguel Castanho ao Negócios, embora admita a dificuldade em perceber o peso de cada setor: “não é fácil mas existem formas de o fazer. Uma são os rastreios (…), a outra forma é fazendo alguns estudos de caso, como alguns países fizeram em restaurantes com os circuitos dos ar condicionados e nos comboios”.

O que deve abrir primeiro?

Do que o Negócios ouviu dos especialistas contactados ao que se conhece do plano de desconfinamento entregue em São Bento passando pela experiencia internacional, é consensual que é pelas escolas dos mais novos que se deve começar. “É o que é menos arriscado”, diz Carmo Gomes, sobretudo para as crianças mais pequenas “devido às características de transmissão entre crianças que aparenta ser muito baixa” devido ao “seu sistema imunológico, que tem uma capacidade maior de travar o vírus ainda na fase assintomática”.

Para o investigador do iMM, a chegada da a primavera é uma oportunidade para “os setores mais abafados abrirem com base na atividade ao ar livre” – nomeadamente os restaurantes – “mantendo restrições nos espaços interiores”. Os cabeleireiros e barbearias são outro dos setores que, desde que limitem o atendimento por marcação e mantenham o atendimento individualizado poderiam reabrir rapidamente.

Exemplos lá fora

Lá por fora a discussão é a mesma nos países e as incertezas tambem. Com planos mais ou menos bem estabelecidos, países como a Alemanha, Reino Unido, Áustria e Holanda convergem na prioridade dada à abertura das escolas. Outro ponto em comum entre a maioria destes países parece ser (independentemente do que possa estar incluído) a reabertura das profissões de contacto como cabeleireiros, barbeiros e mesmo massagistas no segundo passo. Também é transversal a decisão de adiar a abertura de restaurantes e mesmo esplanadas para os últimos passos do desconfinamento.

Face ao esboço entregue ao primeiro-ministro, também a Alemanha e o Reino Unido reiteram que o levantamento das medidas está pendente de certas métricas em constante avaliação, embora assumam datas concretas. Na Alemanha o mais importante é a incidência que não deve ultrapassar os 50 novos casos por 100 mil habitantes sob pena de alterações no programa a nível regional. No Reino, Boris Johnson fala em restrições lideradas por “dados e não por datas”, mas as ‘linhas vermelhas’ a estabelecer não são conhecidas.


Protagonistas
Por onde começar a desconfinar?

1- Escolas
António Costa deixou bem assente que será pelas escolas que o Governo pretende arrancar o processo de desconfinamento. A verdade é que parece ser consensual que "começar pelo regresso das crianças mais pequenas é o que é menos arriscado", como explica Manuel Carmo Gomes. Os países europeus que já estão a desconfinar também começaram por aí e outros, como Espanha, conseguiram travar e reduzir o ritmo de contágio sem fechar escolas.

2- Cabeleireiros e barbeiros
Lá fora os cabeleireiros e barbeiros foram uma prioridade nos planos de desconfinamento. Por cá, Miguel Castanho acredita que "funcionar só por marcação" seria "restrição suficiente" desde que "ninguém se junte em salas de espera" e exista "atendimento individualizado". O mesmo deve ser possível para as restantes profissões de contacto como massagistas e esteticistas, mas o investigador relembra que "o que é preciso evitar é o ajuntamento de pessoas".

3- Restaurantes e bares
O investigador do iMM acredita os setores mais castigados devem abrir assim que possível. É o caso dos restaurantes face à entrada em cena da primavera. O tempo quente alivia os contágios e deve permitir à restauração retomar a atividade, "pelo menos os que têm disponíveis espaços abertos e ventilados, sobretudo esplanadas", preservando sempre medidas de distanciamento social. No entanto, os países que já iniciaram a reabertura estão a deixar a restauração para o fim.

4- Desporto
No ano passado a prática desportiva não profissional foi das últimas atividades a retomar a 30 de julho, por isso é expectável que desta vez também não seja um dos primeiros setores a abrir portas. As atividade ao ar livre serão naturalmente beneficiadas, ao contrário das que se operam em espaços fechados, como acontece nos ginásios ou piscinas. A abordagem tem sido semelhante nos países europeus que estão a reabrir gradualmente.





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