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02 Março 2021 | 00:04
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Novo confinamento custa ao país pelo menos 1000 milhões de euros até final de março
Dinheiro Vivo


O novo confinamento vai custar ao produto interno bruto (PIB) do primeiro trimestre pelo menos mil milhões de euros (em termos reais, isto é, descontando já a inflação), assumindo que a economia sofre uma nova queda trimestral na ordem dos 2,1% no período de janeiro-março, como ontem estimou a Comissão Europeia (CE),no boletim económico do inverno.

Se assumíssemos um cenário de normalização, já com poucas restrições, e que a economia até poderia crescer ligeiramente, então o prejuízo final provocado pelo confinamento no PIB do primeiro trimestre é bem superior a mil milhões de euros.

Bruxelas lamentou a situação, dizendo que Portugal acaba por aparecer como o pior caso da União Europeia (UE) em termos de desempenho da economia neste arranque de ano.

No estudo, a CE constata que Portugal teve, no início deste ano, um dos piores desenvolvimentos na "curva" pandémica, com um aumento enorme de casos, de internados e de óbitos.

"A introdução de medidas mais restritivas no âmbito do confinamento a partir de meados de janeiro deverá levar a uma nova quebra do PIB no primeiro trimestre de 2021", refere a Comissão sobre o caso português.

Neste primeiro trimestre, "as maiores contrações" do PIB devem acontecer em Portugal (-2,1%), Irlanda (-1,6%) e Áustria (-1,4%).

No início deste mês, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que a economia portuguesa terá avançado 0,4% no último trimestre de 2020 face ao precedente.

De acordo com os cálculos do Dinheiro Vivo (DV), significa que a economia ainda conseguiu adicionar 192 milhões de euros ao PIB do último trimestre.

No entanto,se como diz a CE, a economia cair 2,1%, significa que volta a perder mais de mil milhões de euros, de uma assentada, em apenas três meses, por causa das restrições à atividade empresarial e à circulação de pessoas em resposta aos números da pandemia.

Mil milhões de euros equivale a mais de 2% do PIB do trimestre. Não é um valor negligenciável, mas ainda assim pode ser recuperado mais à frente.

Recorde-se que esta perda entre janeiro e março, acumula com outra ainda mais dura, a do ano passado.

No quarto trimestre, o produto interno bruto (PIB) real português recuou 5,9%, levando a contração anual até aos 7,6%.

Ou seja, a economia emagreceu 15,4 mil milhões de euros em termos reais face a 2019, noticiou o DV no início deste mês, usando os números oficiais do INE. A perda equivale a mais de 8% do total de riqueza produzida no ano passado.

Ontem, a Comissão Europeia disse que a zona euro e a UE devem entrar em recessão novamente (dois trimestres seguidos de queda do produto). Dez dos 27 Estados-Membros devem entrar em recessão no final do primeiro trimestre. Entre eles estão vários países grandes, como França, Itália e Polónia.






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