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02 Março 2021 | 00:10
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“O AEROPORTO DE BEJA DEVE SER UM AEROPORTO INDÚSTRIA”
PUBLITURIS


O anterior presidente do Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, dizia que a atribuição de competências turísticas às CIM iria “esfrangalhar” o turismo nacional. Partilha essa opinião?
As Comunidades Intermunicipais – no Alentejo e Ribatejo temos cinco – têm hoje, por lei, competências no mercado interno, mas articuladamente com as ERT. Já fazemos isso em termos de agência quando promovemos um subterritório debaixo da marca Alentejo. É assim que resolvemos a promoção do Ribatejo nos mercados internacionais. Não posso colocar a marca Ribatejo, mas promovo a região através dos produtos, do cavalo, da cultura Avieira ou do património gótico de Santarém. Portanto, trabalhar com as CIM não é problema, desde que o seu trabalho seja articulado com o nosso. No mercado nacional é diferente, se falarmos na Costa Alentejana, as pessoas sabem do que falamos e posso ter um plano específico apoiado naquela comunidade intermunicipal, mais dedicado ao território e não há problema, desde que seja articulado com a ERT. Agora, se me pergunta se as CIM devem fazer promoção autonomamente no mercado nacional, digo não. A minha posição é completamente contra, isso seria voltar ao tempo das 20 e tal regiões de turismo. E no mercado internacional muito menos, não vale a pena. O Alentejo é uma marca muito forte no mercado nacional, mas lá fora a competição é outra e não vale a pena ter uma estratégia baseada na colocação de marca, porque para isso é preciso uma fortuna e nós não temos dinheiro para publicidade. Por isso, tivemos de ir através dos produtos. A Rota Vicentina é um bom exemplo, não tinha capacidade financeira para fazer promoção e foi a agência que fez, porque as pessoas chegam ao território através do produto. Hoje, a Rota Vicentina é um produto top no mercado europeu.

O receio em relação às CIM era que não existisse essa coordenação. E no Alentejo tem existido?
Neste momento ainda estamos numa fase muito embrionária e ainda não vi as CIM, em relação ao mercado nacional, a lançar planos estruturados de promoção, nem a tentarem articulá-los. Prevejo que isso venha a acontecer, mas ainda não vi nada. Lá fora a mesma coisa, de vez em quando, vemos uma autarquia numa feira internacional, mas no Alentejo nem isso tem existido, foi um problema que resolvemos de outra forma, porque um problema é também uma oportunidade para encontrar uma solução. Se as câmaras municipais querem estar nas feiras, como a FITUR, e nos últimos dias, quando a feira abre ao público e os profissionais se vão embora, o stand de Portugal ficava uma desolação, propusemos ao Turismo de Portugal – e isso tem sido aceite – que aquelas mesas que ficavam vazias pudessem ser utilizadas pelas câmaras municipais, se quem as pagou se fosse embora e não se importasse. Isso tem acontecido e tem sido um sucesso. Hoje, as câmaras do Alentejo já não têm stands na FITUR, assim não pagam nada e fazem a promoção na mesma. E nós fomos os catalisadores disto, fizemos isto nos dois últimos anos e resultou muito bem.

Acredita então que nas CIM também vai existir essa cooperação?
Como disse, não estou contra, desde que seja um trabalho articulado e nós até já fazemos isso na agência, temos várias candidaturas conjuntas com a ERT, com a Rota Vicentina e outras.

Aeroporto de Beja

Antes da pandemia, a TAP admitia transferir alguns charters de verão para o aeroporto de Beja. Esta poderá ser uma forma de reativar o aeroporto?
De vez em quando há operações turísticas no aeroporto de Beja. Mas, e eu estou à vontade para falar sobre o aeroporto de Beja porque fiz parte da equipa que fez o primeiro plano de marketing da infraestrutura, o aeroporto de Beja deve ser um aeroporto indústria. A primeira vez que disse isto, fui gozado, mas há centenas ou milhares de aeroportos pelo mundo fora que são aeroportos indústria, não são vocacionados para passageiros, às vezes podem tê-los, mas muitos nem isso. São aeroportos que funcionam num cluster e têm à volta uma série de indústrias dedicadas à aviação e à carga. Penso que o aeroporto de Beja deve funcionar dessa forma e é para aí que está, felizmente, a caminhar. O António Costa Silva, que fez o plano para a retoma da economia, diz exatamente o que eu venho a dizer há muitos anos. Mas, quando disse isso pela primeira vez em Beja, e era o presidente da Região de Turismo, só não me empalaram porque era proibido. A maior parte dos voos de passageiros que aterraram em Beja foram promovidos pela ARPT, promovemos voos entre Beja e Heathrow, o que é fantástico, porque Heathrow é um dos maiores aeroportos do mundo. Mas o objetivo destes voos não era trazer passageiros, era promover o Alentejo, nem queira saber o que se falou do Alentejo e de Beja no Reino Unido.

Se o objetivo era promover o Alentejo, saiu caro fazer um aeroporto só para isso, não concorda?
O aeroporto custou 30 milhões de euros, 85% dos quais em fundos europeus. E 30 milhões de euros são seis quilómetros de autoestrada. O que seria um crime era não pôr a base aérea para utilização civil e, neste momento, está lá a Hi-Fly, já abriu um grande hangar de manutenção de aeronaves. Por outro lado, o aeroporto de Beja está vocacionado para o desmantelamento de aeronaves, que é um dos grandes negócios da aviação, e o Costa e Silva também fala nisso. A isto, juntam-se outras duas realidades, a Embraer em Évora e Ponte de Sor. Estes três pólos devem articular-se e constituir um cluster aeronáutico. O aeroporto de Lisboa sobrepõe-se ao de Beja e não existe densidade populacional que justifique o aeroporto. Que população é que existe num raio de 90 quilómetros em torno do aeroporto? Não justifica. E qual é o tipo de oferta turística que temos, é para turismo de massas? Não é. E o negócio da aviação vive de quê, de aviões vazios? Claro que não. Portanto, a principal vocação do aeroporto de Beja não é para passageiros. Mesmo agora, quando se falou na reativação de Beja em vez do Montijo, é preciso ver que, para isso, eram necessárias uma ferrovia e uma autoestrada. A autoestrada ainda está a 40 quilómetros e ferrovia nem vê-la, aquilo que existe são umas carruagens do século XIII e era preciso que existisse um ramal para a estação de Cuba. Portanto, falar em alternativa é fácil, mas não é viável. É um aeroporto indústria e, se houver oportunidade de captar passageiros, muito bem, mas não é essa a sua principal vocação.



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