ARAC
04 Agosto 2020 | 15:44
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Reino Unido agudiza crise no turismo em Portugal e Espanha
Dinheiro Vivo


O Reino Unido é dos principais mercados emissores de turistas para a Península Ibérica. Com as limitações aplicadas por Londres, o turismo dos dois países põe as mãos à cabeça e prepara-se para um ano ainda pior do que esperava.

Portugal continua a não estar na lista de países considerados seguros pelo Reino Unido e, por isso, quem viaja de Portugal tem de cumprir uma quarentena obrigatória ao entrar em Inglaterra. Mas a situação de Espanha é diferente. Num primeiro momento, o país vizinho foi considerado um destino seguro, não tendo os viajantes de cumprir recolhimento durante 14 dias quando chegavam a solo britânico. Até ao último sábado. Dia em que Londres considerou que o número de infetados em Espanha representava um risco para os ingleses. Reviu a decisão e, em menos de 24 horas, Espanha passou a ser um destino não seguro. Apanhou de surpresa muitos turistas em Espanha, incluindo um governante, e o setor.

Tanto para Espanha como para Portugal, o Reino Unido é um mercado chave para o turismo, sendo dos principais emissores de turistas. A crise que já se previa grave no setor pode vir a ser ainda mais aguda. A dimensão dos mercados ibéricos é diferente mas ao olhar para os dados disponíveis percebe-se o peso que Inglaterra tem para ambos. No caso de Portugal, o mercado britânico, em 2019, foi responsável por 2,1 milhões de hóspedes, 9,4 milhões de dormidas e quase 3,3 mil milhões de euros em receitas turísticas, de acordo com os dados do Turismo de Portugal. O Algarve é um dos principais destinos destes turistas, seguido da Madeira. Mas, se no ano passado foi de crescimento nos três indicadores acima mencionados, a pandemia fez com que 2020 conte uma história diferente. De janeiro a maio (dados disponíveis), o número de hóspedes britânicos caiu quase 68%, as dormidas recuaram 66% e as receitas turísticas afundaram quase 55%, em termos homólogos. A retração no turismo não se restringe ao mercado britânico. Portugal não é considerado um destino seguro por outros países como, por exemplo, a Áustria e Bélgica. Apesar de relevantes, o peso que estes mercados têm, por si só, é mais pequeno. Olhando assim para o cômputo geral, Portugal arrisca-se a perder cerca de 40% das receitas turísticas globais (18,4 mil milhões de euros em 2019) devido à inexistência de corredores aéreos para alguns dos principais destinos emissores de turistas. Madrid com uma grande dor de cabeça Se o governo em Lisboa tem dito que a decisão de Londres, de excluir Portugal do corredor aéreo para a Grã-Bretanha, não tem fundamento, Madrid alinha agora também por essa via, numa altura em que a dimensão exata do problema para o turismo espanhol ainda não é conhecida. Mas é possível ter uma ideia. Os dados existentes mostram que, em 2019, Espanha acolheu 83,7 milhões de turistas internacionais, dos quais 18,08 milhões de turistas residentes no Reino Unido (cerca de 20% do total), ligeiramente abaixo dos 18,52 do ano anterior, que escolhem sobretudo regiões como a Catalunha, Canárias e Baleares. Os britânicos deixaram no território quase 18 mil milhões de euros em 2019. Tal como em Portugal, durante semanas as unidades hoteleiras em Espanha estiveram de portas fechadas. As quebras nas receitas para o setor são grandes. No primeiro semestre, segundo o gabinete espanhol de estatística, a hotelaria registou 44,1 milhões de dormidas em hotéis, uma quebra de 70,5% que nos primeiros seis meses de 2019. Com a atividade a retomar aos poucos, a decisão de Londres já fez soar ainda mais alto as campainhas de alarme e fez com que a hotelaria espanhola já tenha pedido ao governo agilidade para evitar o encerramento de unidades e consequentes despedimentos, segundo a imprensa. É que a exigência do cumprimento de quarentenas colocam em risco 2,3 milhões de empregos no turismo em Espanha neste ano. Esta é a estimativa da Organização Mundial do Turismo, citada pelo jornal Expansión. Em Portugal, para já, não é possível antecipar com clareza os efeitos sobre o emprego. Grande parte das atividades ligadas ao turismo aderiu ao regime de lay-off simplificado, pelo menos até junho, o que impede o despedimento enquanto a empresa está nesse regime e nos 60 dias posteriores. Por isso, caso se verifiquem despedimentos deverão ocorrer nos próximos meses. No entanto, o setor costumava contratar a termo, para várias áreas, para fazer face ao pico do verão. Tal não aconteceu este ano, o que se traduz em menos pessoas empregadas no setor do turismo. Várias entidades, como a Confederação do Turismo de Portugal, têm reiterado o empenho na salvaguarda do emprego, pedindo por isso um alargamento do lay-off simplificado até ao final do ano. O governo português aprovou em Conselho de Ministros, nesta segunda-feira, os novos mecanismos de apoio às empresas com quebras de faturação. Empresas do turismo que cumpram os requisitos podem candidatar-se.


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