25% das empresas preveem recomeçar apenas no verão e 10% só a partir de setembro
JORNAL DE NEGÓCIOS
Em maio, cerca de dois terços (65%) das empresas portuguesas que foram afetadas pela covid-19 já estarão a laborar em pleno ou, pelo menos, parcialmente, mas 10% estimam que só deverão recomeçar a partir de setembro, enquanto 16% apontam para junho, 7% para julho e 2% para agosto. Estas são algumas das principais conclusões reveladas pelo terceiro inquérito da Associação Empresarial de Portugal (AEP) sobre o contágio do vírus às suas associadas, a que o Negócios teve acesso.
De acordo com as respostas enviadas em abril por 190 empresas, das quais 83% estão sediadas na região Norte, no caso de levantamento do estado de emergência, como aconteceu, 42% previam que continuariam com a sua área de produção em lay-off parcial e 2% totalmente. Questionadas sobre quais as principais dificuldades para recomeçar a laboração, a esmagadora maioria (91%) apontou a redução das encomendas e problemas de tesouraria (82%). A fechar o pódio, são também reveladas dificuldades de ordem sanitária (72%) relativas à disponibilidade e preço dos equipamentos de proteção individual e produtos de desinfeção, assim como com os ajustamentos de “layouts” (postos de trabalho e outros) para cumprimento dos requisitos de segurança sanitária, que foram assinaladas por 64% das inquiridas.
Quase metade (46%) admite mesmo “alguma dificuldade em conseguir assegurar as condições sanitárias para não pôr em risco as pessoas envolvidas na atividade (trabalhadores, clientes, fornecedores, etc.), sendo que a amostra da AEP é constituída por empresas do setor industrial (40%), comércio (31%), serviços (24%), construção (3%) e agricultura e pescas (3%).
Cerca de metade das empresas admitiu que já acedeu ou pretende aderir às várias medidas entretanto lançadas pelo Governo, como sejam o lay-off simplificado (49%), linhas de crédito com garantia mútua (47%), moratória de crédito (46%) e diferimento de impostos e contribuições (49%). Registam-se algumas diferenças por setor de atividade, com a indústria (55%) e o comércio (54%) a recorrerem mais ao lay-off do que os serviços (37%), sendo que este é o que recorre mais (63%) ao diferimento de impostos e contribuições, contra 35% da indústria e 58% do comércio.
Com a esmagadora maioria a referir que não teve dificuldades no acesso a estas medidas, porém, apontam para problemas muito relevantes com a operacionalização das mesmas, com destaque para o “prazo demorado” (88%), a “complexidade” (82%), a “instabilidade legislativa” (82%) e o “montante insuficiente” (74%).
Maioria tem funcionários em teletrabalho Entretanto, de acordo com o último inquérito semanal do INE e Banco de Portugal, cerca de 16% das empresas encerraram temporariamente ou definitivamente, sendo que 84% mantêm-se em atividade, ainda que algumas funcionem de forma parcial. A quebra é mais acentuada no setor do alojamento e restauração, em que 59% das empresas estão fechadas.
A grande maioria (79%) das empresas que responderam ao inquérito continua a reportar diminuição da faturação, com 39% a registar reduções superiores a 50% no volume de receitas..
Ao mesmo inquérito, 58% das empresas admitem que têm funcionários em teletrabalho, uma medida excecional que é mais usada nas grandes empresas (93%) e pelo setor da informação e comunicação, em que 67% revelam que tem mais de 75% do pessoal a trabalhar em casa.
Das empresas afetadas pela covid-19, 16% preveem recomeçar em junho, 7% em julho e 2% em agosto. A esmagadora maioria das empresas aponta o corte de encomendas como principal óbice ao recomeço da laboração. Quase metade das empresas admite alguma dificuldade em conseguir assegurar as condições sanitárias.
|