ARAC
02 Julho 2020 | 06:06
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"ANA tem de ser mais agressiva" para manter "slots" em Portugal
JORNAL DE NEGÓCIOS


A falência de companhias aéreas e operadores turísticos deixa "slots" vagos nos aeroportos, que podem ser desviados para concorrentes de Portugal, avisa António Trindade, presidente do grupo PortoBay.

Entrámos num novo ciclo?

A relação dos destinos era com o operador turístico. O nosso cliente era ele. Com o advento das "low cost" e o aumento do protagonismo das cidades, as relações entre o prestador de serviço e o cliente final aproximaram-se muito. Não é por acaso que a Easyjet tem 330 aviões e a Ryanair mais de 400. E ambos tomaram muito o lugar da operação turística tradicional. É nesse sentido que os operadores dos destinos turísticos mais tradicionais têm de posicionar-se.

E estão preparados?

Os operadores turísticos têm de reinventar-se com a introdução do chamado pacote dinâmico. Temos duas realidades: quando o cliente final monta tudo e quando o operador se antecipa ao cliente e lhe prepara e apresenta a oportunidade, o pacote dinâmico. Por isso é que é muito inovador aquilo que a Easyjet Holidays [subsidiária de pacotes de viagens da Easyjet] apresentou.

Os destinos têm de negociar com os transportadores para que os "slots" destinados a Portugal não sejam mudados para outros sítios. E tem sido uma guerra, com todas as falências.

Que impacto tem a falência da Thomas Cook?

O lugar da Thomas Cook vai ser tomado pelos operadores turísticos tradicionais. O problema são os "slots" deixados pelas companhias falidas.

Cria-se um problema de acessibilidade?

É esse o cerne da questão. Estes "slots" são negociados nos aeroportos de origem. Os destinos turísticos têm de negociar com os transportadores para que os "slots" destinados a Portugal não sejam mudados para outros sítios. E tem sido uma guerra, com todas as falências de companhias aéreas. Veja-se como é que a Turquia, o Egito ou a Tunísia têm reagido. Oferecem benesses para se deslocarem operações.

E está a ser feito o trabalho necessário para mantermos essas rotas?

Ainda estamos a tempo, estes "slots" duram até um ano. Mas a responsabilidade não é só dos destinos. A ANA tem de ter uma postura mais agressiva se quer que estes resultados sejam positivos.






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