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17 Outubro 2018 | 07:31
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Portugal é “essencial” no salto da nova Airbnb
Expresso - Semanário


Uma verdadeira revolução está em marcha na Airbnb, a maior plataforma do mundo de reservas em casas particulares. Pondo fim à imagem de alojamento barato, a Airbnb tem planos para os próximos dez anos que passam por ter oferta “para todo o tipo de viajantes”, incluindo os mais ricos ou mesmo milionários, de forma a chegar a mais de mil milhões de hóspedes por ano.

O mediático anúncio da nova estratégia foi avançado na sede da empresa em São Francisco a jornalistas dos vários continentes — que ficaram em alojamentos Airbnb, andaram de Uber, e percorreram os vários edifícios detidos pela startup de Silicon Valley, onde as salas de reuniões recriam o interior de casas de várias cidades do globo, desde Xangai a Lisboa. E Portugal, um dos mercados de crescimento mais rápido na plataforma de reservas, foi apontado como exemplo e “parte essencial” da estratégia para o futuro da ‘nova Airbnb’.

“Nunca sonhámos no que a Airbnb se poderia tornar”, diz o CEO

“Começámos há dez anos como uma forma de conseguir dinheiro para pagar a renda, e nunca sonhámos no que a Airbnb se poderia tornar”, salientou Brian Chesky, lembrando que o negócio que começou por alugar colchão insuflável já atinge hoje 300 milhões de utilizadores em 199 países e com uma oferta de 4,5 milhões de casas em todo o mundo.

Mas o salto anunciado por Chesky para os próximos dez anos ainda é maior: basicamente ‘secar’ o mercado e criar uma “Airbnb para todos”, das classes baixas às mais altas, e cobrir tudo o que é associado a viagens além do alojamento, como transporte aéreo, reservas de automóveis ou mesmo de hotéis.

Para já, a plataforma foi totalmente reformulada e subiu a fasquia na oferta de casas, que passou a estar segmentada ao detalhe. “A Airbnb foi desenhada para uma escala mais pequena e em dez anos muita coisa aconteceu, o tipo de propriedades é cada vez mais diversificado”, explicou Brian Chesky, frisando que a plataforma já inclui oferta que permite dormir em castelos, iglus ou casas no topo de árvores. “Mas percebemos que a Airbnb ainda não era para toda a gente, muitos ainda a viam como ‘alternativa’, e a partir de agora isso vai mudar.”

A plataforma passou a ter novos tipos de propriedades (casa de férias, espaço único, bed&breakfast e boutiques) e ofertas mais premium, como o Airbnb Plus, com casas exclusivas e inspecionadas ao vivo por equipas de São Francisco, sendo Lisboa uma das primeiras cidades escolhidas para ter este produto onde os preços médios por noite são de €250. Não é ainda uma oferta de luxo, que a Airbnb também vai lançar nos próximos meses, designada de ‘Beyond’, e já tem como alvo os mais ricos ou milionários.

FÉRIAS EM CASA DE OUTROS

4,5

milhões de casas em todo o mundo estão disponíveis na plataforma Airbnb, que no ano passado totalizou 300 milhões de utilizadores

28%

foi o crescimento da reserva de casas e apartamentos em Portugal através da plataforma Airbnb em 2017

66

mil casas e apartamentos privados em Portugal estavam no final de 2017 disponíveis na Airbnb

4,6

é a média das avaliações das casas em Portugal atribuídas pelos hóspedes, numa classificação até 5

30%

dos participantes da Web Summit que decorreu em Lisboa em 2017 ficaram alojados em casas Airbnb, totalizando 18 mil hóspedes (20% mais que em 2016) — e dando aos proprietários ganhos extra de €1,5 milhões nos três dias do evento

As casas passaram ainda a estar segmentadas na plataforma em diferentes categorias, como famílias, casamentos ou viagens de trabalho, permitindo pesquisar o seu estilo de arquitetura, se aceitam cães ou até se têm assador no quintal. “Acrescentámos milhares de filtros que tornam mais fácil aos hóspedes encontrar a casa que procuram”, salientou Brian Chesky, referindo que todos estes detalhes são fornecidos pelos proprietários. “No fundo, estamos a construir uma das maiores bases de dados do mundo de casas privadas.”

É o fim do alojamento barato na Airbnb? “Não, quem procura isso vai continuar a encontrar, e de forma mais fácil”, garante Jeroen Merchiers, diretor-geral da Airbnb na Europa, África e Médio Oriente. “Originalmente toda a gente via a Airbnb como a companhia certa para viajar com pouco dinheiro. Muitos millennials começaram a viajar assim, entretanto cresceram, arranjaram empregos e queremos acompanhá-los no seu ciclo de vida. E também chegar a outros públicos que procuravam algo mais.”

A estratégia da Airbnb passa por premiar os melhores “anfitriões”, e Portugal assenta aqui como uma luva: o país tem das mais altas taxas de avaliação dadas pelos hóspedes, sendo um dos mercados de crescimento mais rápido, com um aumento de 28% em 2017. “Portugal pode parecer um país pequeno atrás de Espanha, mas é um mercado muito relevante para nós”, salientou Jeroen Merchiers.

Próximo passo: transporte aéreo

Na mira da Airbnb, está o objetivo de integrar oferta de transporte aéreo. O primeiro passo foi evoluir do alojamento para “experiências”, criadas pelos próprios donos das casas e sem a Airbnb cobrar taxas.

“Transportes, reservas de voos, serviços de baby sitter, reservas de hotéis ou de rent-a-car são os próximos níveis em que estamos a trabalhar”, adiantou o responsável europeu da Airbnb, referindo que o projeto de transporte aéreo “é algo que virá seguramente, não sei se este ano ou no próximo. Queremos ser uma plataforma que cobre as viagens ponto a ponto e para todo o tipo de públicos, garantindo que tudo o que as pessoas precisam quando viajam encontram na Airbnb”.

“No mundo atual, em que se estão a construir muros, a Airbnb quer construir pontes”, concluiu Jeroen Merchiers. “Quando as pessoas ficam em casa de outras com uma diferente nacionalidade, cultura ou religião, conseguem-se compreender melhor. Acredito que se houvesse mais contacto entre as pessoas haveria menos crise internacional.” A jornalista viajou a convite da Airbnb

Império começou com o fundador a alugar um colchão por não ter dinheiro para pagar a renda

UM DESEMPREGADO QUE SE TORNOU BILIONÁRIO

É uma história que personifica o “sonho americano”: a Airbnb começou há 10 anos com o seu presidente, Brian Chesky (na foto), a alugar um colchão insuflável no seu apartamento em São Francisco para conseguir arranjar dinheiro para pagar a renda, tirando partido dos hotéis estarem esgotados na cidade devido a uma conferência. Recém-licenciado em design industrial, Chesky dividia o apartamento com um colega da faculdade, Joe Gebbia — e, desempregados, viram aqui um filão para um novo negócio, chamando ao projeto Airbed (cama de ar) & Breakfast (o pequeno-almoço que eles próprios cozinhavam para os hóspedes). Meses mais tarde, viria a juntar-se-lhes o engenheiro Nathan Blecharczyk, completando o núcleo dos três fundadores da Airbnb. Se a empresa foi um fenómeno de crescimento rápido, tornando-se em pouco tempo na maior plataforma do mundo de reservas em casas privadas, no início nem tudo foram rosas, e foi preciso batalhar para obter financiamento e convencer os céticos investidores sobre um negócio que não encaixava nos padrões habituais. “Chamaram-me louco quando apresentei o conceito, disseram que as pessoas nunca iriam ficar em casas com estranhos”, recordou Brian Chesky na apresentação da nova estratégia da Airbnb em São Francisco. Hoje bilionário, põe a sua própria casa a arrendar na Airbnb e é um utilizador frequente da plataforma. Acredita que o futuro das viagens está no contacto com os locais que a Airbnb incentiva, e continua a querer mudar o mundo: em 10 anos prevê multiplicar o negócio tendo “o céu como limite”, cobrir todo o tipo de oferta associada a viagens e para todas as classes sociais, incluindo os mais ricos. “Estou superentusiasmado com o que os próximos anos vão ser para a Airbnb”, garantiu Chesky.

Alojamento local em casas de luxo: Portugal na mira

Airbnb vai lançar a oferta Beyond, para reservas em palácios, quintas e casas topo de gama, após comprar a canadiana Luxury Retreats

Portugal está bem posicionado também para a nova oferta de reservas de férias em casas de luxo detidas por particulares que a plataforma Airbnb vai lançar ainda no primeiro semestre, e que será designada ‘Beyond by Airbnb’.

“Acredito que Portugal vai ser um dos destinos principais da Airbnb também nas casas de luxo”, disse ao Expresso Jeroen Merchiers, diretor da Airbnb para a Europa, Médio Oriente e África. “Portugal é um dos destinos especiais para onde as pessoas estão a viajar cada vez mais — e não falo só de Lisboa, mas também do Porto ou do Algarve, que têm tanto a oferecer”.

Esta nova oferta de casas topo de gama, a preços de vários milhares de euros por noite, já era esperada por parte da plataforma, uma vez que a Airbnb adquiriu no ano passado a empresa canadiana Luxury Retreats por €265 milhões, naquele que foi considerado o maior negócio de sempre no imobiliário de luxo. A Luxury Retreats detinha na altura um portefólio de quatro mil casas de luxo para arrendar, e a compra realizada pela Airbnb não passou despercebida ao mercado, que viu aqui um sinal claro de que a plataforma se preparava para dar o salto e entrar em força noutros segmentos além do alojamento barato.

‘Economia de partilha’ em versão para os mais ricos ou milionários

O que começou como um movimento de ‘economia de partilha’ em versão barata e para pessoas com menor poder de compra (disponibilizar as suas próprias casas em plataformas de reservas, ao mesmo tempo que utilizam as de outros quando vão de férias) está a chegar em força às classes mais altas. Também aos mais ricos interessa o duplo princípio associado ao alojamento local, ou seja, poderem colocar as suas próprias moradias em arrendamento turístico e recorrer às de terceiros quando vão de férias, ajudando assim a suportar os custos elevados de manutenção das casas — mas sempre na garantia de ter padrões equivalentes a um resort de cinco estrelas e com maior privacidade.

Com a oferta Beyond, a Airbnb irá disponibilizar aos hóspedes serviços de mordomo (concierge) durante 24 horas. Em Portugal, este mercado de arrendamento de casas de luxo, palácios, ou grandes quintas para férias de outros particulares também já é trabalhado por empresas nacionais como a Amazing Homes ou a Tripwix.

Além do interesse da Airbnb no país para esta oferta de alojamento topo de gama, as casas de luxo portuguesas também foram destacadas no programa da BBC ‘Dentro das Casas Mais Extraordinárias do Mundo’ (The World’s Most Extraordinary Homes). O primeiro episódio da nova temporada foi dedicado a Portugal (passou na BBC2 a 28 de fevereiro), mostrando casas exclusivas em Cascais, Penela ou Gerês, com piscinas suspensas no teto ou arquitetura em forma de serpente.

Lisboa é das primeiras cidades no mundo a ter casas ‘Airbnb Plus’

Capital portuguesa vai ter até ao final do ano um novo tipo de anúncios de oferta mais exclusiva na plataforma para quem procura “casas bonitas”

Lisboa está a ocupar um lugar de destaque na nova estratégia da Airbnb para os próximos 10 anos anunciada em São Francisco. Entre mais de 30 mil cidades na plataforma, a capital portuguesa foi uma das primeiras escolhidas para lançamento do Airbnb Plus, um novo tipo de anúncios em que as casas são escolhidas a dedo pelo nível superior de conforto, arquitetura ou design, padrões que são verificados no terreno por pessoal da Airbnb.

Atrair gente que vai para os hotéis

“São casas lindíssimas, com uma personalidade muito distinta e em que os proprietários são verdadeiros ‘superanfitriões’ a receber os hóspedes”, explicou Brian Chesky, presidente da Airbnb. “Mandámos as nossas equipas verificar pessoalmente estas casas em mais de 100 locais, em cada uma testámos se o wiFi funciona, além de todos os padrões que se possam imaginar, para garantir que o serviço aqui é mesmo premium”.

Na plataforma reformulada, o Airbnb Plus ficou no final de fevereiro disponível em 13 cidades, a começar por São Francisco, a sede da empresa, Los Angeles, Chicago e Austin. Fora dos Estados Unidos, os anúncios mais exclusivos também incluem Toronto, Sydney, Melbourne, Xangai, Cidade do Cabo, Londres, Roma, Milão e Barcelona, num total de duas mil casas.

Lisboa integra o próximo pacote de 13 cidades que em 2018 terão oferta disponível no Airbnb Plus, a par de Bali, Auckland, Atenas, Creta, Praga, Riviera Maya, Cidade do México, Montreal, Phoenix, Seattle, Pequim e Chengdu. O objetivo até ao final do ano é ter uma oferta de mais de 75 mil casas com este produto. O Airbnb Plus implica que os proprietários tenham um software de €149, mas as suas casas são valorizadas com fotografias tiradas por profissionais.

“Portugal é definitivamente uma parte muito importante na nossa estratégia para os próximos 10 anos”, garantiu Vlad Loktev, vice-presidente da área de operação de casas e produtos da Airbnb. “Também andamos à procura de casas no país na categoria de ‘Coleções’ ou de ‘Boutiques’, tendo em conta que só em Lisboa já há muitos hotéis deste tipo”.

A nova categoria ‘Boutiques’ que a plataforma passou a ter de forma estruturada é virada para reservas em hotéis de charme, frisando aqui a Airbnb ter “taxas inferiores comparando com as OTA (agências de viagens online, vulgo Booking ou Expedia), que podem cobrar até 30%”.

“Há pessoas de classe média e alta que viajam, costumam ficar em hotéis e ainda não consideraram a Airbnb. Queremos que saibam que temos para todos eles uma casa perfeita”.

Porto, uma “estrela em ascensão”

Em todo o mundo, Lisboa já é a décima cidade mais procurada para reservas de alojamento na Airbnb, segundo estimativas avançadas pela plataforma para o primeiro semestre de 2018. “Portugal, e especialmente Lisboa, já é um mercado maduro para a Airbnb. Temos aqui centenas de proprietários de casas muito criativos, que são ‘superanfitriões’, e vejo-os como uma força muito poderosa para os nossos esforços em relação ao Airbnb Plus”, enfatizou Jeroen Merchiers, diretor-geral da Airbnb para a Europa, Médio Oriente e África.

“Adoro Lisboa, estou com grandes expectativas e sei que o Airbnb Plus vai funcionar aqui muito bem. E o Porto é a nossa próxima estrela em ascensão. É um destino fantástico, que ainda não é muito conhecido”, sublinhou o responsável da Airbnb.



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